A dor emocional aprisionante e a libertadora


Observações iniciais:

Esta série é direcionada para quem deseja investir no seu autodescobrimento, ela descreve alguns dos principais obstáculos, predominantemente inconscientes, para a jornada de autotransformação.

O objetivo é a reflexão e questionamento da nossa forma de pensar, sentir e agir que acreditamos sermos livres para isso, mas na verdade somos prisioneiros inconscientes de pressupostos ou premissas profundamente enraizadas, por não termos consciência disso criamos sem saber dificuldades e crises em várias áreas da vida.

Filosofias e tradições espirituais do mundo enfatizam a importância de investir no autoconhecimento, mas na prática poucas pessoas se comprometem profundamente consigo mesmas nessa jornada. Muitas vezes simplesmente porque não sabem que são prisioneiras de si mesmas.

Ter consciência das "Prisões Invisíveis" já é o primeiro passo para se libertar gradualmente ao longo da vida, através da exploração de nosso território inconsciente, o que mais cedo ou mais tarde levará a confirmação que somos muito mais do que achamos que somos!

Para baixar e imprimir o texto a seguir, clique aqui.

A dor emocional aprisionante e a libertadora

Para vários autores, outro grande obstáculo para a jornada da autodescoberta é a dor emocional. Instintivamente desde a infância temos atitudes que nos aproximam do que é prazeroso e nos afastam do que não é. Desta forma desenvolvemos durante toda a vida, sem ter consciência, vários mecanismos de defesa conta a dor emocional.

A busca mais profunda de si mesmo vai enfrentar mais cedo ou mais tarde a dor emocional. Muitas jornadas de autodescoberta começam por dores que não conseguimos resolver sozinhos. Daí a frase antiga que diz que a humanidade caminha pela dor ao invés de pelo amor.

As defesas que mantemos inconscientemente contra a dor emocional, podem ser reconhecidas no momento em que uma pessoa reúne coragem suficiente para se abrir completamente para experimentar a dor seja ela qual for!

Não estou falando aqui da dor falsa e aprisionante. Existe um tipo de dor que é em si mesma uma defesa contra experimentar a dor libertadora. Ela é insustentável, contorcida e amarga, ela diz:

“Não faça isso comigo, vida!”

A dor aprisionante e defensiva contém amargura, auto piedade, ressentimentos, assim ela destrói a paz. A dor libertadora é pacificadora, por mais paradoxal que pareça, porque com ela assumimos a plena auto responsabilidade sem auto manipulação. A dor libertadora nunca diria:

"Pobre de mim, todas essas coisas estão acontecendo comigo"

"Estou desesperançado, sou tão mau que nem posso me absolver".

Muitas pessoas param sua jornada de autodescoberta quando uma verdade mais profunda emerge do inconsciente e causa inevitavelmente alguma forma de dor emocional às vezes muito intensa.

Nestes processos pessoais existe uma confusão ou inversão entre causa e efeito. A verdade que chega à consciência entra em conflito com uma ilusão que alimentávamos inconscientemente como verdade, portanto a confusão ou inversão entre causa e efeito é que a verdade que emergiu do inconsciente começa a "desmanchar" a ilusão que alimentávamos sobre nós ou sobre os outros, mas de maneira geral a interpretação é oposta.

Acreditamos que a verdade que emergiu do inconsciente é a causa da dor emocional, portanto lutamos contra ela.

O que acontece é que a verdade nunca é dolorida. O que dói é a ilusão que estava “vestida de verdade” e quando esta ilusão sobre nós ou sobre os outros se desmancha, causa dor.

Na jornada de autodescobertas e transformações pessoais, vamos gradualmente assumindo a responsabilidade pela condução de nossas vidas pela simples constatação que sempre fomos os criadores dela, de forma harmônica e desarmônica (consciente ou inconscientemente) e dessa maneira nos abrimos para sentir a dor libertadora, que sabemos que é fruto de nossas ilusões sobre nós e os outros.

Pierrakos afirma:

“Por mais estranho que pareça, a dor libertadora sem defesas abre portas, traz luz e expõe o âmago do ser com sua resistência, criatividade e profundidade de sentimento e compreensão”.

Quando a dor residual é trabalhada, a corrente de dor é experimentada pelo que ela é, sem negação ou exagero, sem impor interpretações artificiais sobre o acontecimento. Assim nenhuma má concepção, intencionalidade negativa, mal ou sofrimento existirão, por mais paradoxal que pareça, afirma a autora.

Este estado gera o fim aos medos. Basta de medo da morte, da vida, do ser, de sentir e experimentar a grandiosidade do amor universal, sendo este último, o maior medo humano, afirma a autora.

Tendo como base minha jornada pessoal e meu trabalho como psicólogo clínico e coach, posso afirmar que na exata medida e profundidade em que cada pessoa se compromete consigo mesma com a frase abaixo os meios para a autodescoberta e transformação pessoal aparecem.

“Eu desejo me conhecer, custe o que custar, doa o que doer, demore o que demorar!”

Outra frase antiga:

“Quando o discípulo está pronto o mestre aparece”

O mestre não é necessariamente uma pessoa. Podem ser situações ou contextos de vida que solicitam o desenvolvimento ou despertar de alguma habilidade, talento ou mudança na forma de pensar, sentir e agir.

Quando deixamos gradualmente de culpar a vida ou as outras pessoas e começamos a olhar:

“Os obstáculos ou problemas como nossos mestres”

A jornada na vida passar a ser vista, mais cedo ou mais tarde, com infinitas oportunidades de autodesenvolvimento e aprendizado e a dor libertadora passa a ser desejada, porque ela é um sinal da transformação de ilusões “vestidas de verdades” em verdades pessoais muito mais autenticas profundas e harmoniosas.

Considerações Finais:

O texto acima tenta descrever uma das prisões invisíveis de uma maneira abrangente. Esses conceitos têm muitas maneiras de se expressar no contexto individual. Até certo ponto podemos reconhecer e fazer mudanças sozinhos, mas outras vezes necessitamos de ajuda para ir mais fundo no reconhecimento de como estamos aprisionados e como nos libertarmos.

Alguns autores alertam para o abismo inconsciente entre o saber e o agir. Podemos saber muito, mental e emocionalmente, mas agimos muito pouco.

Quando tomamos consciência da profunda diferença entre “saber um caminho” e “percorrer esse caminho” nos aproximamos da possibilidade de acelerar nossa jornada de autodescobertas, abrindo-nos para o aprendizado com os acertos e erros.

Quando já caminhamos até certo ponto, podemos confirmar o que os grandes sábios sempre disseram:

“Somos os criadores de nossa vida exatamente como ela é agora! Através das nossas ações ou omissões, conscientes e principalmente inconscientes.”

Tendo mais clareza desse poder criador (harmonioso e desarmonioso) podemos mudar muita coisa em nossas vidas, se assim acreditarmos profundamente.

Autores de referência para esta série de textos:

Carl Gustav Jung, Eva Pierrakos, Ken Wilber, Debbie Ford, Stanislav Grof, Humberto Mariotti, Alexander Lowen, Vera Saldanha, Pierre Weil, entre outros.

José Luís Morado

Atendimentos online e presenciais

Psicólogo clínico e Coach pessoal

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